Eu adoro criar mapas. Um dos motivos para gostar de escrever aventuras de RPG e livros de fantasia é poder criar mapas elaborados de locais que não existem em nosso mundo. Hoje, vou explicar como crio um mapa para aventuras de RPG e como você pode criar o seu.

Lições básicas de geografia

Você não pode ter um rio dentro de um deserto sem uma floresta ou um bom motivo (vide Rio Nilo). Você não pode ter um iceberg flutuando em uma zona tropical (sem um bom motivo mágico). Não dá pra ter montanhas altas ao lado de áreas costeiras (salvo raras exceções e bons motivos para isso na sua aventura).

A primeira coisa é lembrar daquelas aulas básicas de geografia sobre formações geológicas e sobre biomas.

O que faz uma floresta? O que faz um deserto? Que animais vivem ali? Como uma área se conecta às outras? (O que são áreas de transição?). Tudo isso é muito importante e ajuda a criar um mundo mais realista.

Por via de regra, deixe que suas exceções tenham um motivo mágico, ou seus jogadores não ativarão a suspensão de descrença.

Cidades e rotas comerciais

Onde surgem cidades? Inicialmente, ao lado de rios e lagos, além de fontes de matéria-prima como madeira, carvão, argila e metal. Cidades maiores são conectadas por estradas comerciais bem definidas, enquanto as outras possuem direções vagas indicadas por elementos naturais ao longo do caminho.

Isso, claro, quando se considera um mundo medieval para sua aventura.

Um bom lugar para se inspirar são os jogos

No fim, vai depender do tipo de ambiente que quer criar.

Dentro do livro do Mestre, você encontra bastante informações sobre a criação desses ambientes, mas, em um mapa, marque sempre as estradas principais conhecidas por todos (com calçamento ou placas) e marque também as cidades importantes.

Ao longo da aventura, ofereça um mapa para os próprios jogadores preencherem.

De maneira geral, o importante é entender como a sociedade criada se organiza, por exemplo:

  • Ao redor de cidades grandes, existem sempre algumas fazendas que fornecem comida para a região;
  • Ao redor das grandes fazendas, existem terrenos menores dos camponeses que trabalham na terra;
  • Encruzilhadas entre estradas importantes costumam ter feiras, ou até mesmo cidades menores;
  • Locais de alto volume de transeuntes costumam ser mais ricos e diversificados, locais no interior (mesmo que cidades grandes) são menos diversos e mais conservadores e fechados;

Para diversificar mais ainda, crie ambientes e regras distintas para diferentes raças. Elfos podem ser mais igualitários entre si, mas segregarem outras raças em guetos. Anões podem ter um projeto urbano mais organizado, embora suas cidades sejam mais compactadas e repletas de vielas e locais escondidos.

Áreas selvagens

O que se esconde nas florestas? O que vive nas montanhas? O que há debaixo daquele lago congelado? As áreas selvagens oferecem uma grande possibilidade encontros e situações originais e intensas.

São nelas que os monstros e as criaturas mágicas estarão mais confortáveis, poderão ser atacadas de surpresa, ou onde poderão caçar os jogadores com fome e instinto assassino.

“Um dia triste, um bom lugar pra ler um livro…”

É preciso pensar que tipo de vegetação, fauna e flora está ali, porque isso impacta na maneira como a aventura pode prosseguir. Uma área com floresta densa pode fazer com que o grupo despiste perseguidores, uma área com flores venenosas pode gerar venenos interessantes para serem usados depois.

Mapeie, ao menos, o tipo de clima e estude quais são as árvores básicas desse tipo de região. É necessário ter informações básicas caso seus jogadores queiram imergir ainda mais nesse mundo.

Crie acidentes geológicos como fissuras, falhas no solo, crateras e morros descampados, minas abandonadas a céu aberto e cânions.

Os limites do seu mundo

A fronteira do seu mapa é o final da folha, mas, antes disso, saiba o que vai acabar naquele ponto.

O que é deixado de fora conta tanto quanto o que é posto no mapa, e é importante na criação da narrativa. Criar fronteiras é uma maneira de dizer que, além, está algo novo a ser descoberto, enquanto o que está dentro pode ser conquistado.

Saber o limite do mapa é saber o limite da sua narrativa.

E, claro, lembre-se: não é preciso se ater a um mapa.

Inclusive, faça várias versões, com diferentes graus de personalização e detalhes. Vá de mapas regionais entre três vilas à mapas globais.

Já dizia Bob Ross: esse é seu mundo, ele pode ser o que você quiser.

Quer mais dicas? Deixe nos comentários qual sua recomendação de tema 🙂