Grandes vilões, grandes histórias. Mas um vilão não é só um cara malvado que surge para incomodar o protagonista. O vilão é a sombra, ele é, na verdade, um antagonista, e não precisa ser necessariamente ruim. Se quer saber como escrever um livro de sucesso, você precisa saber como construir um bom antagonista.

O que é um antagonista?

Essencialmente, qualquer um ou qualquer coisa que se oponha ao protagonista de maneira a impedi-lo de concluir seus objetivos.

Vamos dar um exemplo fora da caixa: no filme O Náufrago, o mar pode ser entendido como o antagonista de Tom Hanks, ou a solidão. Em 127 Horas, a pedra aprisionando o personagem é um antagonista. Essas coisas são, em essência, um resumo dos problemas do herói, e oferecem um desafio que não pode ser enfrentado sem que eles passem por alguma mudança pessoal profunda.

Se quer saber mais sobre mudanças profundas, veja meu primeiro artigo sobre os protagonistas.

O que faz um bom antagonista?

O antagonista deve oferecer uma perspectiva completamente contrária ao herói. Não há exemplo mais didático do que o Coringa e o Batman. Inicialmente, o Coringa era só mais um vilão esquisito do Homem-Morcego, mas, com o passar do tempo, os roteiristas da DC perceberam o potencial no Palhaço do Crime.

Em essência, o Coringa é a antítese do Batman. Um é um agente da ordem e o outro do caos. Para o Coringa, não existem regras, para o Batman, regras são fundamentais. Ao mesmo tempo, estão ambos presos aos seus comportamentos, fadados a isso, e só é possível haver uma vitória quando um deles muda (vide o filme O Cavaleiro das Trevas).

Um bom antagonista força o herói em mudança, mas, ao mesmo tempo, está preso à antítese do dilema do protagonista.

Voltando ao início do texto, se tomarmos o mar como o antagonista de Tom Hanks em O Náufrago, o principal argumento para a defesa dessa posição é de que o mar, em si, expressa a solidão que o personagem enfrenta na ilha.

A vastidão azul sem fim, as ondas empurradas em direção à praia, nunca longe dela, forçam o personagem, em um primeiro momento, a entender aquele isolamento como definitivo.

O mar é um inimigo a ser superado se o protagonista quiser voltar para casa, mas primeiro ele precisa entender o seu medo.

Embora haja também a questão do conflito (e isso eu vou abordar em um texto separado só sobre os nove tipos principais de conflito), o antagonista é quem personifica ou centraliza o conflito da narrativa.

Superado o dilema pessoal, o medo, o inimigo é enfrentado e derrotado. Há a vitória e a recompensa.

O antagonista é mais uma maneira do protagonista conhecer a si mesmo, e será ele sempre, ou quase sempre, o responsável por criar uma mudança significativa em nosso herói.

Boa escrita e até o próximo artigo