Nisso eu posso me chamar de expert. Já li tantos e de tão variada qualidade que criei um filtro relativamente amplo desse tema. Livros de fantasia podem ser maravilhosos ou uma porcaria sem graça e completamente clichê. E a última versão tem dominado o mercado. Saiba o porquê e como evitar isso escrevendo um livro de fantasia interessante e diferente.

Como escrever um livro de fantasia

A resposta básica pode parecer: dragões, bruxas, magia, fadas e coisas fantásticas acontecendo, mas vamos por parte.

Por onde começar a escrever um livro de fantasia?

Do mesmo ponto em que se começa a escrever qualquer narrativa, o tema.

Já falamos sobre enredo em outro artigo, então vou resumir aqui: será uma história sobre ego, poder, mentira, ganância, medo, amor, amizade? Qual a mensagem da história? Qual o argumento?

O protagonista

Defina seu protagonista com base nas necessidades de sua narrativa. Uma história sobre preconceitos funciona melhor com um protagonista que pertença a uma minoria, e sua história pode fornecer diferentes camadas de interpretação, como o livro Lugar Nenhum de Neil Gaiman (olha ele aqui de novo).

O antagonista

Se você tem um tema e o seu herói, o próximo passo é definir quem será o antagonista da história, sempre seguindo as dicas que já ofereci em outro artigo, só sobre esse assunto.

Como construir seu mundo fantástico?

Para essa dica, recomendo minha série de artigos sobre RPG de mesa, que oferecem inclusive algumas dicas legais sobre escritas inseridas no meio.

Essencialmente, seu mundo fantástico precisa de algumas ambientações:

Política

Qual o sistema político vigente no local da história e como isso afeta a narrativa? Afeta a narrativa, por acaso? Monarquias e sistemas absolutistas tendem a ser mais duros com pensamentos distintos e ideias estrangeiras, por exemplo.

Geografia

Onde está o herói? Qual a sua localização e por quais locais ele passa? Assim como na minha dica sobre mapas para RPG de mesa, é importante estudar um pouco sobre biomas. Ursos não vivem em desertos. Estude clima, fauna e flora.

Sistemas e limites

Essa é uma parte importante se você quer colocar magia na história. Saiba que magia é uma faca de dois gumes, e se seus personagens podem voar, lançar bolas de fogo e ficar invisíveis, precisará pensar em uma maneira de fazer com que castelos sejam seguros, que lojas sejam anti-furto mágico e que hajam medidas de proteção contra magos.

Se magia é amplamente difundida, é preciso pensar em até que ponto ela afetou o cotidiano das pessoas.

Se a magia está sendo descoberta, é preciso pensar em como as pessoas comuns reagirão a essa novidade.

Histórias de fantasia não podem forçar a suspensão de descrença

É aqui que muitas coisas podem dar errado.

Se você não criar um mundo crível e uma narrativa poderosa que amarre todos os detalhes juntos de maneira interessante, seus leitores começarão a notar falhas e furos de roteiro.

E a última coisa que você quer como artista independente é uma pessoa apontando erros essenciais na sua história, sendo que poderia tê-los evitado.

Leia e releia tudo com cuidado, anote informações importantes e sempre verifique se a cada nova página você não escreve algo que anula algum outro ponto anterior. Até mesmo autores famosos estão sujeitos a esse tipo de erro, como a J.K Rowling, por exemplo. E se você não é o George R.R. Martin e não tem uma equipe e consultoria para saber o que escreveu em seus livros, o ideal é ter cuidado triplicado.

Boa escrita e até a próxima.