Esse é um artigo polêmico porque eu sei que existem diversas maneiras de se escrever, e quase todo autor tem uma visão distinta sobre o processo de escrita e sua criatividade, contudo, eu não sou eu sem dar minha opinião sobre tudo, e hoje vou compartilhar algumas dicas para quem quer ser um escritor mais produtivo (e escritora mais produtiva).

Vamos lá:

Escreva qualquer porcaria

Essa parece a pior dica de produtividade de todas, mas eu vou explicar melhor com um exemplo.

Teve uma época aqui no Pergaminho que tínhamos textos todos os dias da semana, de domingo a domingo, com uma equipe rotativa muito boa. 

O problema de ter material saindo todo dia, especialmente com colaboradores escrevendo de boa intenção e de maneira gratuita (nunca conseguimos monetizar a plataforma) é que chega uma hora e as pessoas saturam. As ideias acabam. 

Eu podia até ter um banco de dados de materiais prévios, mas depois de 2 ou 3 meses os materiais reservas e os novos acabavam. Com isso, sempre vinha a mesma mensagem no meu celular: 

“João, eu estou sem ideias, não escrevo já tem um tempo, o que eu faço?”

A minha resposta pra esse problema é exatamente essa que dei ali no início. Escreva qualquer porcaria. Você não precisa compartilhar esses textos com o mundo, nem sequer terminar a maioria deles. Eles são o que eu chamo de “sacrifícios”, materiais com o único objetivo de te colocar na frente do computador ou caderno e escrever. 

Na maior parte do tempo, falta de criatividade é simples falta de tempo ou prática. Quanto mais você escreve, mais ideias tem. Com isso, o seu fluxo criativo se torna mais constante com o tempo.

Escreva todos os dias

Isso parece um desafio, mas depende apenas da sua meta.

Se quer escrever um livro, escreva uma página por dia. Se quer escrever um conto, escreva um parágrafo por dia. Não precisa escrever a mesma história todos os dias, também, às vezes a melhor coisa para sua produtividade e criatividade é variar.

Eu mesmo, para me manter um escritor produtivo, trabalho em vários projetos ao mesmo tempo. Isso me ajuda a sempre pensar em alguma coisa. Então, se um livro está parado, trabalho em um conto, se não tenho contos, escrevo para o site, e por aí vai.

Escrever todo dia junta bem com a dica de escrever qualquer coisa, porque mesmo sem ideias, vale a pena rabiscar uma frase no caderno. 

“Dona Holanda adorava comprar verduras às terças.” O que isso significa? Eu não sei, mas uma frase como essa pode despertar uma ideia melhor, ou só te colocar pensando sobre aquele capítulo parado.

Quando escrevi meu primeiro livro, A Pergunta no Espelho, a meta era escrever um capítulo por dia. Era uma meta absurda, obviamente. Eu tinha bastante tempo, mas na maior parte das vezes, escrevia de uma a duas páginas de história. Era o suficiente, a cada semana tinha sempre um capítulo novo. 

O livro bruto ficou pronto em 3 meses. Eu tinha 17 anos na época e já consumia todos os conteúdos sobre dica de produtividade possíveis, não queria perder o ritmo e o gás que tinha. Foi nessa época que me tornei um escritor produtivo e bem disposto. De 2015 a 2017 eu devo ter escrito mais de 70% dos meus materiais. 

Grande parte do Réquiem para um Amor veio dessa época, inclusive. 

Entenda seu ritmo e planeje metas

Eu sou uma pessoa que gosta de regras, mesmo que também adore furá-las. Metas, regras e planilhas são fundamentais para uma vida organizada, e com a escrita não é diferente. 

Aqui, inclusive, entra minha principal crítica aos que falam que criatividade é um processo quase místico para obter ideias: a criatividade é um músculo, você precisa exercitá-la todos os dias. 

Na parte final deste artigo eu vou dar algumas dicas para se manter mais criativo, mas agora é válido falar outra coisa. 

Quem acredita que a criatividade surge apenas na hora certa muitas vezes usa esse argumento para justificar sua preguiça e falta de comprometimento com o trabalho artístico. Mesmo que ser artista seja difícil e se mantenha como hobby ou processo paralelo na vida quase toda, é necessário levar com seriedade e afinco, ou não verá mesmo resultado algum. 

O artista também trabalha, e se quer ser reconhecido deve trabalhar 10x mais que qualquer outro profissional. 

3 dicas de criatividade para escritores produtivos

1- Uma ideia pode vir de uma pergunta.

Essa é uma das lições mais valiosas que tirei da masterclass sobre escrita do Neil Gaiman. A Branca de Neve é uma história sobre uma mulher com pele muito branca, lábios vermelhos e cabelos negros. Essa pode ser a descrição de uma vampira que cai em um sono profundo e é despertada quando um homem a beija e acorda. É uma ideia básica, mas já é um ponto de partida. Faça perguntas sobre o mundo, veja tudo por um ângulo diferente, e vai acabar encontrando respostas instigantes.

2- Uma cópia bem feita não é mais uma cópia.

Está sem ideias? Por que não pegar uma ideia já consolidada e fazê-la do seu jeito? Para quem não tem nada para escrever mas quer escrever algo, esse é um bom ponto de partido. Nem tudo escrito será publicado, lembre-se disso. Reescreva um conto de um de seus autores favoritos pela sua perspectiva, com seu estilo. Isso vai ajudar, inclusive, a delimitar sobre o que gosta de falar e como fala. É um bom estudo pessoal, inclusive.

3- Discuta com as pessoas sobre o que está fazendo.

Essa sempre foi uma das maiores vantagens do Pergaminho, ter um ambiente onde sempre conseguimos falar sobre nossos desafios criativos e podemos consultar outros artistas. Suponhamos que você não queira fazer parte de um grupo de artistas, falar com seus amigos e familiares já ajuda. Pequenos comentários sobre suas ideias podem ser valiosos para te manter com energia e disposição para escrever. Além disso, está sempre divulgando suas ideias. 

Algumas pessoas podem ser tímidas, mas também existem fóruns e blogs sobre o assunto, com isso, nunca se está verdadeiramente só nesse trabalho. 

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