Ou a maior paixão literária da minha vida

Vocês que acompanham o site, e já leram alguns textos nos quais eu falo sobre a minha infância, já sabem o quando Tolkien fez e continua fazendo parte da minha vida. E aqueles que me conhecem desde pequeno, principalmente aqueles que estudaram comigo no Ensino Fundamental, devem ser capazes de lembrar de mim, andando com o volume único de O Senhor dos Anéis para cima e para baixo pelos corredores da escola.

Hoje em dia, chegou ao ponto de ser uma relação quase religiosa, onde eu faço uma leitura dos três livros todo ano, como se fosse uma peregrinação, revisitar meus antigos amigos no início da minha adolescência. Meu maior sonho impossível sempre foi (e acho que sempre será) ver o Gandalf, o Cinzento subindo a minha rua e vindo até mim, para me convidar para algum tipo de aventura, em que eu correrei o risco de não voltar pra casa e, talvez, nem querer voltar mais.

Bom, Gandalf nunca veio até mim, então todo ano eu vou até ele, revisitar meu velho amigo, como alguém olha para um retrato antigo. É quase como um chamado, eu sinto isso, sempre quando estou lendo qualquer outro livro aleatório, eu paro e penso “o que estou fazendo aqui, não é aqui que eu quero estar”, então eu corro em direção a minha estante e pego minha versão (agora separada) da sociedade do anel.

O primeiro livro é o meu favorito, ele não é o mais empolgante, nem o mais emocionante, mas ele, para mim, é mais importante, ele me faz sentir imerso naquele mundo gigantesco, me faz sentir a simplicidade da vida no Condado e também faz com que eu sinta o peso de uma jornada inesperada, que escolhe o jovem Frodo Bolseiro como o portador do Anel. Os outros livros, representam feitos heroicos contra um grande mal, e nos apresenta o verdadeiro herói da saga Sam Gamgi, o jardineiro que se refere a Frodo como seu senhor e amo. Ele se prova o maio herói de todos ao simplesmente permanecer leal ao seu companheiro até o fim, carregando a carga toda, sabendo que aquilo poderia levar a sua morte.

Eu li outras sagas como Harry Potter e As Crônicas de Nárnia, mas Tolkien preencheu minha vida, num momento onde eu me sentia tão deslocado no mundo (e com mundo, eu quero dizer meu colégio). Eu sempre disse que meu melhor amigo nessa época era o Gandalf. Cada frase de efeito, cada conselho dado por ele, era como se fosse para mim. Em alguns momentos parece que não conversava com os personagens do livro, mas sim com o leitor. É muito estranho para mim compartilhar isso, esse sentimento que eu tenho por esse livros lançados muito antes de eu ter nascido, mas é importante para mim, sempre será.

Isso não é uma resenha nem uma crítica, mas sim como essa saga me influenciou e influencia na minha vida, serei sempre grato ao meu primo Raphael que me emprestou pela primeira vez o volume único que ficou comigo por anos e moldou todos os meus conceitos de certo e errado, honra e lealdade. Eu já pensei num fim para o livro da minha vida, será o mesmo que Bilbo deu para o seu final “E ele viveu feliz, até o fim de seus dias”.

 

Por Igor Tancredo