Não é o tarrasque e também não são os kobolds, tudo depende de criatividade e bons cenários. Os melhores monstros de RPG são aqueles que oferecem um combate memorável, e uma aventura narrativa épica (sem precisar destruir o mundo).

Primeiras dicas

A primeira coisa a saber sobre os melhores monstros de RPG é que eles dependem de como se encaixam na sua narrativa. Algumas vezes, uma criatura forte e com poderes incríveis pode vir no momento errado e ser apenas um inconveniente, sem impactar de maneira alguma na jornada dos jogadores.

Por outro lado, uma simples batalha com um exército de kobolds que invadiu o castelo do rei dos Halflings pode oferecer um momento de glória e luta memorável.

O importante, então, é sempre adicionar um pouco de contexto à sua história, para não tornar tudo um simples rolar de dados mecânico. Narre os eventos, dê emoção ao que acontece.

E lembre-se, os monstros devem criar desafios morais aos jogadores, também.

Ogros

Uma das melhores opções de criaturas são aquelas que balanceiam a civilidade dos personagens. Ogros são mais fortes que homens, mas menos organizados social e intelectualmente.

Não é esse ogro

Essa é uma maneira de mostrar, quem sabe, uma sociedade tomada pela barbárie em época de guerra. Afinal, o que é feito em nome de um ideal, escrito com sangue, pela mão dos heróis, não é também tão bárbaro quanto esses seres?

Ogros também são uma boa forma de organizar conflitos com criaturas inteligentes sem precisar pegar leve com os jogadores.

Gigantes

Uma batalha que trabalha com problemas de escala é uma maneira de manter seus jogadores atentos em uma sessão de RPG. Gigantes são uma oportunidade de ouro para criar um conflito que se move não só horizontalmente quanto verticalmente.

Cuidado com gigantes, eles podem te lançar longe

Pense em um combate em que os jogadores possam escalar paredes e atacar os gigantes saltando em seus corpos, ou derrubá-los com o uso de correntes e magias no chão para facilitar.

Se seu mago tem feitiços de encolhimento, trabalhe com isso para criar combates ainda mais interessantes, uma espécie de Ultraman medieval: seu bárbaro é encantado pelas mãos do mago e pode enfrentar o gigante cara a cara, enquanto o resto do grupo oferece suporte.

Personagens mágicos

Fênix, um mago inimigo, criaturas elementares, personagens mágicos são monstros de RPG mais dinâmicos, e mais difíceis.

Na mão de um bom mestre, o realismo da batalha se transforma em um grau de dificuldade maior, especialmente porque, caso seu grupo tenha enfrentado apenas personagens guerreiros até o momento, uma criatura mágica reverte o que eles sabem sobre combate.

Essa é, na verdade, uma excelente maneira de inserir um combatente mágico no lado dos monstros. Um ogro magro, inclusive, é uma boa maneira de fazer isso.

Uma horda de ogros bem organizada vinha atacando as fronteiras de um ducado regularmente, depois de algumas semanas, descobre-se que o líder estará com eles em uma reunião, para um ataque final. Após uma batalha sangrenta, descobre-se que o vilão é um ogro mago.

Nesse instante, os jogadores, que até o momento levavam o combate pela força e pela espada (a maioria dos jogadores, ao menos) precisam enfrentar um inimigo mais inteligente e preparado.

Horda de zumbi invencível

Como se enfrenta um inimigo invencível? Não se enfrenta.

Tirou 1 é tchau

Eu já cansei de falar sobre como elementos de terror incorporados em uma aventura de capa e espada são a melhor maneira de variar um pouco a sua narrativa.

Agora, trago aqui um segredinho meu: hordas de zumbis imparáveis e incansáveis. Isso quer dizer que os jogadores, não importa quantos zumbis matem, nunca serão capazes de acabar com todos eles.

Há, simplesmente, zumbis demais para sobreviverem em um combate direto.

O melhor que os jogadores podem fazer nessa hora é sobreviver à horda correndo e fugindo para um lugar onde não possam ser alcançados. PDM’s são devorados, cidades desaparecem, e a horda segue no encalço dos jogadores o tempo todo.

Depois, é claro, pode-se criar uma explicação razoável para a infestação, um inimigo comandando a onda de mortos-vivos, mas a ideia é que os jogadores não possam derrotar o conjunto por um tempo.

Harpias

Batalha épica entre harpia e basilisco

“O que vem de baixo não me atinge” pode até ser verdade, mas as vezes o que vem de cima pega bem na cabeça. Harpias são um desafio aéreo que forçará os jogadores a pensarem verticalmente e funciona como uma ferramenta de roteiro para inserir elementos voadores.

Se quer colocar balões no seu universo, fazer com que surjam como uma solução ao problema das harpias põe seus personagens no centro do dilema, dá mais profundidade ao enredo e ainda cria uma nova ferramenta.

Harpias são vorazes e se organizam em bandos, como as aves, mas também tem a malícia e a esperteza de seres humanos, o que as tornam um desafio de grau mais elevado. Some a isso a maneira como podem ser combinados ataques voadores e terrestres e seus jogadores precisarão de muita estratégia para enfrentá-las.

Tubarões

Se tem uma coisa que Steven Spielberg fez bem foi criar o mito do tubarão como um assassino implacável. As pessoas temem o que não podem ver, e num ambiente aquático, com armaduras pesadas e restrições à magia, enfrentar algo simples como um tubarão pode ser desastroso.

*Aquela música do Tubarão que todo mundo conhece*

Imagine a cena, o grupo cruza uma baía repleta de tubarões quando um dos PDM’s mais importantes começa a sangrar e atrai a atenção dos animais. Sem poderem sair do barco e com todas as limitações físicas e espaciais do momento, precisam chegar ao outro lado enquanto são admoestados pelos animais.

Um conflito simples de organizar, mas complexo em solução. Vale a pena tentar.

Humanos

“O homem é o lobo do homem”, isso é verdade. Algumas vezes, o maior inimigo é justamente aquele mais inteligente.

Usar pessoas como adversários é uma carta-coringa. Seres humanos são bons e maus e podem ser guerreiros, magos, ladinos, etc., ad infinitum.

Além disso, se sua equipe conta com humanóides, mas não com humanos, usá-los pode ser uma experiência ainda mais interessante, tratando-os como criaturas mágicas, invasores, ao invés do centro do universo.

Criaturas inventadas

Nada como inovar!

Por que não elfos de gelo? Anões gigantes? Abelhas de fogo? Essa é sua história e sua narrativa. Esse é seu mundo e ele pode ser o que quiser, já dizia Bob Ross.

Invente novas criaturas e misture-as com as já conhecidas, leve seus jogadores a mundo nunca antes conhecidos. Tire-os da zona de conforto.

Gostou das dicas? Tem seu monstro preferido? Deixe nos comentários.