Esse foi, basicamente, o roteiro de Meia-Noite em Paris, do Woody Allen. Salvo alguns detalhes tipo a viagem no tempo, mas o cerne da história está aí. Um jovem escritor, lutando para fazer valer sua paixão pela literatura, no meio de uma Paris dedicada aos seus astros e grandes estrelas, tudo isso em uma época saturada de grandes nomes, seja a década de 20, seja o novo milênio.

Falando mais especificamente sobre o livro, a jornada de Hemingway enquanto artista, se aproximando dos grandes nomes, trocando ideias, conversas, insights, vivendo e lutando para se manter na capital francesa é uma das histórias mais bonitas que já li. De certa maneira, em muito se aproxima do Ilusões Perdidas: jovem artista na grande Paris, lutando para sobreviver, trabalha com jornalismo.

O final do Hemingway não chega a ser muito melhor que o do Lucien, mesmo com a barreira entre ficção e realidade.

Paris é uma festa tem também as dicas de produção do Hemingway enquanto ele descobria sua identidade como escritor, compara com os estilos do Joyce, Fitzgerald (a parte mais bonita do livro inteiro é, sem dúvida, essa), e muitos outros.

O estilo quase jornalístico, extremamente biográfico, ainda encontra espaço para um processo de literatura que se expande além do autor e chega até o leitor. Você não precisa ser o Ernest para viver aquilo, há um sentimento universal em uma escrita sem grande espaço para adjetivações.

A habilidade de situar sem precisar contar tudo, dizer apenas o necessário é algo que se aprende em Paris é uma festa não só através das dicas, mas no próprio livro.

Paris é uma festa está, atualmente, no topo do meu ranking. É meu livro favorito, tanto pelos quesitos técnicos quanto pela conexão que tive com a obra, sendo eu mesmo um jovem escritor.

ps:  procure as características que o autor aponta dentro do livro, é um bom exercício de análise.

 

Por João Scaldini