O clássico de Steinbeck que transforma todo mundo em comunista. As Vinhas da Ira é o livro de Steinbeck que faz a jornada de todas as famílias desabrigadas durante o Dust Bowl, a crise econômica de 29 e a mecanização do trabalho latifundiário.

O autor faz isso tudo ao mesmo tempo, enquanto relata tanto de maneira pessoal, através da vida de uma família específica, os Joan, quanto através de narrativas em que personagens sem nome personificam aquele drama de maneira geral e alcançam um patamar universal.

Há o sentimento de perda, de despropósito, de rancor… O livro é uma grande jornada, um épico do homem comum procurando seu lugar num mundo cada vez mais hostil às necessidades das pessoas simples.

O que a gente pode tirar de interessante de As Vinhas da Ira:

Em primeiro lugar, as inserções generalistas, quase enciclopédicas, que Steinbeck insere na história. Essa foi uma estratégia, inclusive, que eu usei no meu conto A Pedra no Caminho que você pode baixar de graça na nossa loja.

Mas, fugindo do jabá e falando das técnicas, as inserções tem tanto caráter expositivo quanto narrativo. O Steinbeck consegue, com essas espécies de interlúdios (mesmo que não sejam interlúdios propriamente ditos):

  • Oferecer informações novas longe da narrativa principal;
  • Mostrar uma situação comum a várias pessoas que ainda se aplicam à família (como na cena da venda dos itens de casa);
  • Seguir a narrativa oferecendo uma noção de tempo decorrido (quando voltamos a acompanhar os Joan, alguns dias ou semanas transcorreram).

Douglas Adams usa isso (e eu vou falar dele em algum momento) muito bem no Guia do Mochileiro das Galáxias. Esse aprofundamento no universo te insere cada vez mais dentro da realidade do livro e torna o dilema dos protagonistas mais presentes.

Conforme a gente entende a estrutura socioeconômica onde a família está inserida e os desafios que eles têm que enfrentar para poderem sobreviver, mais fácil fica estar ao lado deles e sentir a pressão enquanto o dinheiro acaba e não encontram empregos.

A empatia é fator fundamental na literatura. E As Vinhas da Ira tem isso e muito mais para ensinar.