À medida que caminhava via flores
Via flores à medida que caminhava
Cada uma com sua beleza suprema e suas dores
Suas cores vibrantes pulsavam enquanto eu caminhava

Mas não quero jamais me lembrar deste singular acontecimento:
Crianças arrancavam seu corpo e suas pétalas,
E eu via ali em seguida o assassinato
Não da vida, mas, sobretudo dos sonhos, sem qualquer discernimento
Elas davam flores para seus amados e suas amadas,
Entretanto como se fosse inato
Todos (as) recusavam, e jogavam no chão as cores e a emoção.

Mesmo depois dessa percepção
Eu compreendi, será que as flores entregues foram usadas de antemão?
Para construir o amor e a paixão
Para dar transporte à vibração
Que vivia nas flores e agora no coração?
Por isso nunca me esquecerei daquelas flores
Das Rosas de todos os tons,
Na minha vida nunca tinha visto tantas cores
Porém hoje se passo caminhando só vejo os sons
Não vejo mais com tanto fulgor
Porque agora só restou poluição
No jardim da nossa nação.
Só busco hoje vultos ávidos pela restauração
E todo dia que passo por lá
´Inda transbordando de esperança mesmo depois disso
Vou sussurrando assim:

À medida que eu caminho eu vejo as dores
Eu vejo as dores que eu deixei no meio do caminho
Cada uma com seu porquê e suas cores
Mas que em troca delas
Amores hoje verberam graças às flores
Que eu hoje passo por cima no caminho

– O retirante da pedra

Por Antônio Portugal