Iniciando uma série de novos artigos no Pergaminho Virtual, farei pequenas análises e considerações sobre alguns livros que já li na vida. 

O objetivo não é oferecer uma tábula imutável e definitiva sobre o assunto, mas sim criar um diálogo com outros leitores e escritores. 

O livro de hoje é As Ilhas da Corrente, de Ernest Hemingway.

Resumo do livro As Ilhas da Corrente

Neste livro, Hemingway faz um retrato semibiográfico de sua vida. Digo semibiográfico porque vários dos elementos da vida do escritor norteamericano são adaptados para a vida do pintor do livro. A narrativa é dividida em duas partes (ou três, dependendo de como aborda).

Na primeira delas, acompanhamos a vida do pintor Thomas Hudson ao receber seus três filhos em uma ilha caribenha. São semanas de ócio e lazer com os garotos enquanto pescam, bebem e se divertem nos bares da ilha e interagem com um número enorme de personagens profundos e interessantes. 

Ao final da primeira parte, uma tragédia marca a vida de Thomas, e o pintor se transforma. O livro dá um salto de alguns anos e, na segunda parte, nos vemos no meio da Segunda Guerra Mundial, em Cuba, enquanto o pintor lidera um grupo de homens em missões de caça a alemães no meio do mar.

Eu falei lá em cima que o livro pode ser dividido em duas ou três partes por conta dessa metade do livro. Em um primeiro momento, acompanhamos Thomas na ilha de Cuba, ao voltar de uma missão, enquanto aguarda o próximo comando. 

É um trecho menor e compete apenas alguns dias. Já o trecho seguinte do livro é onde há a perseguição aos nazistas de fato, com uma narração tensa e profunda pelas águas do Caribe.

Análise do livro As Ilhas da Corrente

Eu não sabia o que esperar desse livro do Hemingway, mas encontrei uma narrativa surpreendente. O próprio resumo da versão do livro que tenho cita um de seus grandes destaques: a capacidade do autor de revelar o oculto.

E o que isso quer dizer? Basicamente, percebemos através dos diálogos e ações uma série de traumas e acontecimentos passados nas vidas dos personagens que, por isso, os moldam e afetam. 

A cada página você mergulha um pouco mais na psique daqueles homens quebrados e, ainda assim, sente que permanece no raso. Hemingway, com sua escrita pouco adjetiva e caráter sóbrio, nos relata aquela vida e somos capazes de ver cada ato fantástico sem precisar de mais do que aquelas poucas palavras. 

Outro ponto forte do livro é, sem dúvida, os diálogos. São algo à parte, expressando sempre personalidade, desejo, vontade etc. Você sente que, de certa maneira, aquelas vozes foram reais, e realmente podem ter sido, considerando a maneira como o autor se inspirava para algumas histórias.

Tanto o relato introspectivo quanto os momentos de ação fornecem bons insights para quem quer fazer uma análise mais rigorosa da obra e absorver alguns ensinamentos.

O Hemingway é meu autor favorito e não é por qualquer motivo, As Ilhas da Corrente garantem uma boa leitura para os fãs de ficção.

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