Iniciando uma série de novos artigos no Pergaminho Virtual, farei pequenas análises e considerações sobre alguns livros que já li na vida. 

O objetivo não é oferecer uma tábula imutável e definitiva sobre o assunto, mas sim criar um diálogo com outros leitores e escritores. 

O livro de hoje é O Senhor dos Anéis, por J.R.R Tolkien.

Resumo do livro O Senhor dos Anéis

Ok, se você, em plena década de 20 do século 21 não conhece O Senhor dos Anéis nem por alto… (e como veio parar em um blog de literatura?) Certas obras são fundamentais para entendermos melhor determinados movimentos. 

O Senhor dos Anéis é o texto base para compreender o movimento de livros de fantasia que hoje assola a literatura mundial (ainda que mudanças tenham ocorrido). Tudo isso eu poderia falar no próximo tópico, mas é importante tirar certas coisas da frente logo no começo. 

Caso você ainda não saiba do que estou falando

Dito isso, o livro (dividido em três ou seis tomos, dependendo da versão), e conta a história da Terra-Média, ao final da Terceira Era, com o retorno de Sauron. O Um Anel, artefato de poder do vilão, foi encontrado no Condado, vila dos hobbits, pelo mago Gandalf. 

O Um Anel pertencia a Bilbo Bolseiro. Em seu aniversário de 111 anos o hobbit o deixa, bem como sua casa e todos os seus pertences, para seu sobrinho Frodo Bolseiro, antes de partir para uma aposentadoria na cidade élfica de Valfenda.

Frodo logo descobre que Sauron busca o Anel do Poder e, junto a uma comitiva preparada em Valfenda quando também vai para lá após o sumiço de Gandalf, precisa destruir o artefato bem no vulcão onde a joia foi forjada, no centro dos domínios do vilão.

Esse é o princípio básico sobre o livro, agora vamos à parte divertida. 

Análise do livro O Senhor dos Anéis

O Senhor dos Anéis é uma obra sobre… a jornada de Frodo e seus amigos. Não há realmente uma subtrama, uma camada de mensagem por baixo como em tantos livros clássicos. Contudo, o que diferencia o livro é a abordagem técnica de Tolkien. 

Para não me esticar demais no processo de criação do autor e sua proposta, deixo aqui esse link. Resumindo: J.R.R era um professor de Oxford que, ao observar a mitologia inglesa, sentiu uma necessidade de contos mais enriquecedores, já que pouco havia de expressão cultural nesse sentido no país. A Inglaterra tinha como mito Rei Arthur e alguns poucos casos, mas nada de grande expressão, como os nórdicos ou até mesmo os irlandeses, logo ao lado. 

Toda a obra dentro do universo de O Senhor dos Anéis, então, tem como objetivo reproduzir uma mitologia com sua profundidade e minúcias. É por isso que os livros parecem tão densos e complexos, foram propositalmente desenhados e planejados assim.

O Senhor dos Anéis, inclusive, é escrito como se Tolkien fosse o tradutor da obra, não o autor.

Quem verdadeiramente assina o livro é Frodo, e a ideia é a de que vemos uma história em duas camadas: a narrativa de Frodo e da comitiva pelos olhos de um tradutor de nosso período enxergando aquele período histórico fantástico. 

Por ser professor de Oxford, linguista e estudioso, os elementos técnicos de sua obra, que foi tratada como hobby por muitos anos, oferecem grandes insights sobre a produção e a proposta de Tolkien. 

O Senhor dos Anéis é um relato de viagem anotado por Frodo e Sam, em terceira pessoa, sobre a saga da Comitiva do Anel. O Hobbit, contudo, possui um estilo de escrita similar aos contos fantásticos e fábulas infantis. O Silmarillion é uma obra medieval fantástica, com elementos alegóricos e fantásticos extrapolados na linguagem como parte da estrutura, estilo e objetivo da obra.

Não só isso, mas o detalhamento geográfico e cultural expresso ao longo das muitas páginas descritivas serve para contextualizar ainda mais a obra, gerando um aprofundamento realista e elegante, ainda quem um pouco cansativo. 

Eu mesmo li apenas uma vez O Senhor dos Anéis, ainda que tenha vontade de reler, eventualmente. É uma obra que, tecnicamente, ensina diversas lições a autores novatos e experientes. 

O impacto na literatura foi imenso. Todas as obras de ficção fantástica ocidentais, hoje, possuem alguma influência dos textos de Tolkien, a saga de anões e elfos (antes elementos da mitologia nórdica apenas), humanos, orcs e hobbits hoje faz parte do imaginário popular. Por esses e outros motivos destaco-a aqui essa semana. 

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