Iniciando uma série de novos artigos no Pergaminho Virtual, farei pequenas análises e considerações sobre alguns livros que já li na vida. 

O objetivo não é oferecer uma tábula imutável e definitiva sobre o assunto, mas sim criar um diálogo com outros leitores e escritores. 

O primeiro livro sobre o qual falarei é O Velho e o Mar

Resumo do livro O Velho e o Mar

Essencialmente, é a história de um pescador cubano que se depara com um peixe gigante, e sua subsequente batalha para fisgar a criatura.

Ernest Hemingway constrói nessa narrativa de dois personagens, o velho e o peixe, uma relação íntima durante o embate, na medida em que o pescador se solidariza cada vez mais com o animal ao longo dos dias de pesca.

Análise do livro O Velho e o Mar

Enquanto não há muito sobre o que falar em termos de resumo, já que a primeira vista essa parece uma história simplista, O Velho e o Mar levanta diversas considerações e análises passíveis de serem colocadas nesse artigo. 

A primeira delas é a de que Hemingway, de certa forma, se utiliza de arquétipos narrativos mitológicos para construir o duelo entre homem e criatura. 

O cerne da narrativa se dá não apenas pelo embate, mas pelo que está em risco. No início da história, somos apresentados a este velho e pobre pescador, que depende dos cuidados e da consideração de um jovem que o ajuda muitas vezes com sua alimentação, contas etc.

No momento em que o pescador se vê pela primeira vez diante do peixe-espada, ele se depara com uma oportunidade única de transformação na vida, uma chance de ver sua sorte mudar, e o leitor se engaja na história ao entender o significado da batalha.

Há muitas coisas em risco ali para o pescador, mas a grande sacada de Hemingway, ao meu ver, se mostra ao longo da narrativa.

Conforme as horas e dias passam, e o ancião cubano segue em sua luta, impassível diante da criatura, um vínculo entre os dois começa a ser criado, não de maneira direta, como se houvesse de fato um contato emocional entre ambos, mas a luta pela vida, dos dois lados da linha, une aquelas criaturas tão improváveis em um ponto.

É brutal o embate entre os dois e, ao final, nenhum deles sai vitorioso, embora ambos saiam derrotados. 

O peixe morre de cansaço e o pescador não é capaz de ver prazer no ato, já que o laço criado durante a pesca se rompe após o final do embate e ele se vê vazio, enfrentando tubarões e outros peixes carnívoros que devoram o peixe-espada antes de chegarem às praias de Cuba novamente. 

Esse final demonstra, outra vez, uma perspectiva trágica muito similar aos mitos gregos, onde o herói, ao se sobressair, também perde muitas coisas em troca. 

Há um certo balanço na narrativa, não se vê um final feliz e, enquanto o pescador vai dormir solitário em seu barraco, no mesmo estado econômico que se encontrava antes, internamente, muitas mudanças ocorreram.

É essa simplicidade a primeira vista que, depois de uma leitura mais cuidadosa, demonstra o valor da obra ao longo das décadas, sua persistência no imaginário popular e seu valor enquanto material de leitura.

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