Iniciando uma série de novos artigos no Pergaminho Virtual, farei pequenas análises e considerações sobre alguns livros que já li na vida. 

O objetivo não é oferecer uma tábula imutável e definitiva sobre o assunto, mas sim criar um diálogo com outros leitores e escritores. 

O livro de hoje é Paris é uma Festa

Resumo do livro Paris é uma Festa

Paris é uma Festa trata-se de uma aventura autobiográfica de Ernest Hemingway em Paris na década de 20, com seus 24 anos, logo após se expatriar dos EUA depois da Primeira Guerra Mundial. 

Neste livro, você acompanha alguns relatos pessoais do autor enquanto ele luta para sobreviver e trabalhar como escritor e jornalista freelancer na Cidade Luz, ao mesmo tempo em que se envolve com a cena cultural da capital francesa e seus expoentes mais consagrados.

Análise do livro Paris é uma Festa

O que falar de um livro que mal havia começado a ler e já considerava tanto? Não sou bom com palavras, mas vamos lá: muito bom, perfeito sem defeitos.

Okay, acabou a palhaçada. 

Mas, de fato, falar de Paris é uma Festa é falar de uma experiência muito própria e íntima minha com a história – e já dei alguns motivos para ler esse livro aqui. 

Não que eu estivesse lá, obviamente, mas existe um sentimento muito forte de pertencimento e busca da identidade artística, do sucesso na carreira como escritor que Hemingway transparece nesse livro tardio sobre seus anos jovens que me toca profundamente.

Paris é uma Festa trata-se não apenas de um livro sobre a juventude de Ernest, mas também de seu processo de escrita e das influências artísticas de seus colegas em sua vida. Ao longo da narrativa vamos sendo apresentados, pouco a pouco, a diferentes e consagrados nomes da literatura, da poesia e da pintura. 

Na mesma medida em que retrata historicamente, de maneira tão seca e discreta como faz questão de evidenciar em seu texto, aquelas figuras, Hemingway também traz algumas pontuais reflexões sobre cada artista e seu estilo, sua marca, e revela ainda que, talvez, indiretamente a maneira como foi influenciado por aquele momento em sua vida.

Do vício em apostas nos jóqueis a sua dificuldade para escrita com uma rotina rígida até finais de semana intensos com Fitzgerald, Paris é uma Festa retrata a vida de um jovem e aspirante escritor buscando seu lugar no mundo. 

A escrita de Hemingway, ainda que sóbria, quase totalmente livre de adjetivações e enxugada ao máximo, é capaz de demonstrar emoção, humanidade, e sentimentos verdadeiros de pessoas verdadeiras.

Eu, obviamente, não posso deixar de falar da parte separada especialmente para o Fitzgerald. Veja bem, Fitzgerald, Hemingway e Steinbeck são três dos nomes mais importantes da literatura norte-americana do início do século XX. 

Cada um deles focou em um aspecto da sociedade americana para retratar e, quando Hemingway começava sua carreira, Fitzgerald era já popular e famoso nacionalmente, se não mundialmente, por seus livros retratando os excessos da Jazz Age dos EUA (bem como críticas à vanidade da nova burguesia americana motivada por esse período).

O livro separa os momentos antes de falar de Fitzgerald e os momentos depois com uma abertura poética sobre o talento de F. Scott. Fica óbvio ao longo das páginas que havia uma imensa admiração de Ernest pela capacidade de escrita do amigo. 

Pouco a pouco o tom trágico da narrativa se sobressai conforme as crises de Zelda Fitzgerald se intensificam e passam a impactar profundamente o esposo. A maneira como Hemingway descreve é muito humana, com o tom de um amigo que vê o outro se perder e é incapaz de fazer algo quanto a isso. Essa dualidade admirador-amigo e os momentos retratados fazem desse o ponto alto do livro, na minha opinião.

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